Sobre

“Everybody has a secret world inside of them. All of the people of the world, I mean everybody. No matter how dull and boring they are on the outside, inside them they’ve all got unimaginable, magnificent, wonderful, stupid, amazing worlds. Not just one world. Hundreds of them. Thousands maybe.”

Neil Gaiman, A Game of You.

Poderia declarar-me uma Incógnita. Mas seria comum demais. Todos gostam de se sentir misteriosos, e eu sou um livro aberto.

Poderia declarar-me uma bagagem vazia, sem nada a oferecer, mas eu sou cheia de coisas dentro de mim, e que normalmente escapam por meus dedos.

Gostaria de me declarar a Liberdade, mas eu sou responsável demais, e o mundo não compatibiliza esses dois termos. Liberdade no mundo contemporâneo tem a ver somente com Insensatez.

Queria ser a Vingança, e libertar-me de todo o ódio dentro de mim, descontando nos culpados, mas o amor supera isso, e o tempo lava essas escadarias internas.

Queria ser a melhor amiga de mim mesma, mas sou minha mais cruel inimiga. Encerro-me dentro dos meus medos, dentro da minha genialidade e morbidez, escondo-me atrás de minhas máscaras de ironia,  e cinismo com a vida.

O que interessa é o que sou, e não o que gostaria de ser. Sou a imperfeita. A fracassada. A esquisita que todos passam longe, e esquecem que preciso de um toque e afeição às vezes. Todos os seres humanos necessitam disso.

Ainda assim, sou aquela que depois dessas constatações dos outros, as aceita como se fossem próprias, e acorda para mais um dia de trabalho árduo, ignorando seus próprios pesadelos encarcerados.