Existência ou não existência, eis a questão

Existência ou não existência, eis a questão

A minha existência terrena, como incorporado, se deu em 1981. Naquele ano nevou no estado. Minha tia fez 16 anos em um vestido branco. Eu sempre associo vestidos de noiva a neve.

Mas eis que, aqui hoje me encontro me sentindo meio morto. Domingo a noite sempre faz isso com os humanos, que são sempre arrastados a suas rotinas semanais de trabalho – estudo – farra. Amanhã eu trabalho cedo.

Mesmo assim, estou aqui sendo negligente com meu sono. E banho. Não quero tomar banho. Estou com uma preguiça mortal. Sem trocadilhos.

Nessas últimas semanas, meu organismo foi tomado por alguns vermes, tive que me livrar deles tomando um banho de formol. Mas alguns conseguiram ficar, vermes malditos, e estão caraminholando nos restos mortais do meu cérebro. Mesmo morto, eles conseguem me deixar com dor de cabeça.

Isso me consumiu um pouco. O pseudo-terapeuta com quem me confesso permanentemente me disse que isso era tudo psicológico e eu deveria deixar para o passado se encarregar.

Mas eu tenho este problema, sabe, leitor ou leitora… na hora que alguma coisa acontece, normalmente eu estou lá, moscando e não me importando, e não percebo o acontecimento. E se eu não estou moscando, provavelmente não estou prestando muita atenção mesmo. Como diria Holmes, o cérebro é como um sótão, você só coloca ali dentro o que julga realmente necessário. E a honestidade do meu parceiro não é algo ao qual eu desprezo, aliás incentivo, mas esqueço que nem todo mundo tolera verdades sem filtro do socialmente aceitável.

E daí vem a minha ruína, a chance de defesa… e ela passa por mim como a brisa no cemitério.

E depois, fico eu aqui, me consumindo a toa, com as 500 respostas prontas para devolver os insultos e todas as ofensas dos últimos anos. Mas que não posso mais, pois resolvi novamente me fingir de morto e enterrar as pessoas que tratam a mim e a meu cônjuge como amizades ‘tapa-buraco’. Na falta de gente melhor e mais ryca, vai vocês mesmo.

 

Uma breve apresentação

Uma breve apresentação

Olá, prezado leitor ou leitora.

Photo by Mitja Juraja on Pexels.com

Venho por meio destas tortas linhas me apresentar. E apresentar o motivo pelo qual preciso escrever.

Resolvo não me identificar, nem por nome nem por gênero, pois ora. Eu, um morto vivo, não sei bem se necessito disso para apresentar minhas crônicas. Se fizer necessário, me apresentarei quando a oportunidade exigir. Posso ser um homem, uma mulher, meramente um alienígena preso a um corpo humanóide em decadência constante.

Sei somente que eu sou um morto vivo.

Aqui você não encontrará frescuras ou links em demasiado. Somente meus textos e pensamentos traduzidos em palavras legíveis, vez ou outra com erros de concordância,  ou assassinatos gramaticais, outras somente um despejo de emoções. Pois nestes momentos encontro-me vivo. Em outras, serão provavelmente textos desconexos e sombrios, dos momentos aos quais encontro-me morto.

Por vezes, minha alma é vitoriana. Outras, romântica. Por muitas vezes é analítica, e outras a minha mente é somente enfadonha. Me entedio facilmente, portanto é possível que este blog encontre-se por vezes cheio de teias de aranha.

Mas como um refúgio secreto, estarei presente quando meu coração bater e eu precisar desabafar as memórias de um defunto.

Até breve.