O Exercício do Amor

O Exercício do Amor

Hi, fucked world…

Fuçando nos meus antigos arquivos, encontrei esse texto. Pessoalmente, apesar de ter perdido contato com a autora, sinto muita falta dela e de sua sabedoria. E eu simplesmente adoraria colocar em prática tudo o que ela um dia escreveu. Não postei por motivo especial, mas é sempre bom falar de amor. =}

Pode ser utopia, mas vale a leitura.

O Exercício do Amor

Witch Girl Eillen (Saudades…)

Amor existem muitos. De variadas formas e tamanhos. É assim entre irmãos, pais, filhos, amigos, afilhados, coisas, bichos e até‚ com os opostos que se atraem…

Eu não creio que os laços do coração bastam para manter duas pessoas juntas.

Uma permanente comunicação sobre os medos e desejos, é necessária. Como também é absolutamente necessária a compreensão de que: Estabelecer uma
relação é ir mais longe do que os sentimentos, é aproximar e ligar entre si as diferenças. É fazer com que essas diferenças/barreiras se transformem em pontes.

O amor desconhece qualquer lei. Destrói qualquer velha certeza. Arromba preconceitos. Salta o muro. Assalta o não. Derruba as torres da razão. Dá murros na moral. Ri de qualquer condição e é atemporal.

A gente não ama simplesmente porque quer. É necessária uma deliciosa mistura de espera e de ternura, de sede e de força de viver.

E mesmo que esse encontro aconteça, para estabelecer uma relação de qualidade é preciso duas pessoas. Duas pessoas querendo, prá começar. Duas pessoas para rebater a bola do carinho.

É preciso que o outro também descubra sem que a gente precise sugerir e
muito menos impor, que o carinho é um valor seguro, que permite agradar ao outro apenas por querer agradá-lo. Não aquele carinho infantil, sempre mais ou menos interesseiro, mas um carinho de pessoas adultas, que sabem o que querem da vida. Que buscam no outro, não a dependência ou a responsabilidade pela sua felicidade, mas uma troca nutritiva e sadia rumo ao infinito de si mesmos.

Entre duas pessoas que se aplicam em crescerem juntas, respeitando a individualidade do outro, esse carinho pode ter um sabor raro.

E então o exercício do amor pode acontecer de forma simples, plena e diária, através dos seguintes gestos, beijos, ações, babilaques:

Gostar de dormir abraçados. Ficar de pernas pro ar. Tomarem juntos chocolate quente no inverno e sorvete no verão. Abrir presentes. Trocar bilhetinhos apaixonados. Escrever uma carta dizendo o tamanho do amor que sente.

Mandar e receber flores. Fazer viagens de aventura. Conhecer lugares diferentes. Ir de novo num lugar que a gente achou demais. Acreditar em papai noel. Não acreditar em bicho-papão. Rolar de rir vendo desenho animado na tv. Ouvir música. Cantar. Dançar solta. Dançar colada. Fazer poesias, Recitar Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mário Quintana e todos os outros que fazem a nossa cabeça. Andar de mãos dadas. Pichar uma declaração de amor, num muro à noite (isso não é só menino que faz não!) em uma rua deserta. Olhar nos olhos. Tomar banho de cachoeira. Gostar de um lindo dia de sol. E em noites de chuvas, debaixo das cobertas, fazer no corpo, novas descobertas. Dar o primeiro beijo. Dar o segundo beijo. O milésimo beijo. Aqueelee beijo. Não dar beijo algum e ao invés disso, dar aquela mordidinha. Chamar o outro de bonitão mesmo naqueles dias em que ele está se sentindo um cão molhado de chuva. Não ficar brava só porque ele quebrou aquela taça que a gente gostava. Ler muito. Aprender sempre.

Ler estórias em quadrinhos. Fazer palavras cruzadas. Viajar para o interior. Planejar “aquela” viagem ao exterior. Montar quebra-cabeça. Namorar pelo telefone. Namorar, namorar e namorar. Fazer cafuné. Dar colinho. Olhar as estrelas. Descobrir juntos coisas novas. Conhecer novas pessoas. Sair juntos como os amigos seus e dele. Sair somente com seus amigos. Não se chatear quando ele preferir sair somente com os amigos dele Se descobrir mudando sempre. Amadurecendo a cada dia. Brincar de médico. Comer pipoca assistindo um filme em casa. Ganhar abraço macio e colado. Dar abraço colado e macio.

Manter a forma de um jeito prazeroso. Procurar ser cada vez mais saudável, mente, corpo e espirito. Dizer “eu te amou. Ouvir “eu te amo”. Deixar que o outro nos flagre olhando e sorrindo. Dar muita risada. Pedir colo.
Balançar na rede. Procurar sempre falar a verdade. Andar de pés descalços na grama.
Fazer massagens nos pés. Nas mãos. No corpo todo. Contar piadas. Não calar a risada. Cuidar de si. Cuidar um do outro. Cuidar do amor. Cuidar do cuidado.
Fazerem juntos um sanduíche ou um chá de madrugada. Fazer guerra só de travesseiros. Administrar os problemas que surgirão conversando sempre.
E sempre, de forma prática e serena. Desligar o despertador e continuar
dormindo abraçados. Acordar e ficar até tarde na cama. Correr pela chuva de mãos dadas. Ir ao cinema. Ir ao teatro. Assistir a shows. Dar shows de criatividade e de superação de si mesma. Roubar um beijo. Ficar de bobeira.

Rolar no chão. Brincar com os sobrinhos dele. Chorar de rir. Dar curto circuito. Dizer coisinhas no ouvido. Ficar com tesão. Dar tesão. Tirar a roupa. Fazer amor sem pressa. De mil e uma formas diferentes, mas sempre com muito carinho. Explodir por dentro. Subir pelas paredes. Fazer o outro subir contigo. Depois, em silêncio, se olhar nos olhos e se descobrir plena, inteira, integra, digna e feliz. Ficar quietinha. Coladinha Dormir juntinha. Acordar de madrugada. Assistir ao por-do-sol. Sonhar acordada. Se permitir fazer o que nunca pode, conseguiu ou deixaram ser. Pular na cama de mãos dadas. Sair p/ mato. Procurar cristais. Ir a praia. Catar conchinhas. Como quem não quer nada, querer tudo. Falar sério. Falar abobrinha. Ir além do aqui e agora. Brindar a vida. Tomar vinho. Tomar banho juntos. Lavar os cabelos dele com jeitinho p/ não machucar. Enxugar o corpo dele de preferência, deixando tatuado nele, muitos beijinhos. Inventar uma música. Escolher uma música como tema desse amor. Suspirarem juntos ouvindo abraçados “em algum lugar do passado”. Tremer de emoção. Se flagar no colégio, lembrando e sorrindo, se descobrindo apaixonada. Deixar o outro ganhar no jogo, (principalmente quando a gente percebe que ele teve um dia difícil no trabalho) e depois quando ele disso reclamar, a gente fazer de conta que não sabe do que ele está falando. Reconhecer quando errou e honestamente pedir desculpas.

Ficar verdadeiramente agradecida por uma ação gentil, um cuidado, uma preocupação, uma consideração. Dar a certeza de que o outro pode contar contigo. Saber que pode contar com o outro, porque antes de qualquer outra coisa, vocês são amigos.
Ficar á vontade. Ser a mais expontânea possível e na presença do outro, se “sentir em casa”. Sem medos, sem vergonha, sem preconceitos, sem defesas, sem se sentir coagida, pressionada, vigiada e cobrada. Ter a certeza de que vocês estão juntos, porque se escolheram e porque essa é a melhor opção, e por isso mesmo, entender que não há necessidade de ciúmes excessivos, cobranças e patrulhamentos sem sentido. Nunca, em nenhuma hipótese, por insegurança ou “autenticidade” tratar um ao outro com grosserias e baixarias.
Ficar preocupada quando perceber que o outro não estiver bem. Tentar ajudá-lo.
Falar com ele. Ouvi-lo. Mas entender sempre que “não se ajuda quem não quer ser ajudado”. Se descobrir “morrendo de saudades” e ligar de repente, só prá dizer isso. Respeitar em si e no outro suas crenças, suas ideologias e seus gostos pessoais. Deixar muito claro que, se vocês discutirem, estarão discutindo por idéias, pontos de vistas, etc. e nunca um com o outro como se fossem adversários. Estimulá-lo a ser cada vez melhor. Reconhecer os progressos do outro. De um jeito muito pessoal e as vezes difícil de explicar, desde o primeiro momento que vocês, se encontrem, sentir uma grande, enorme vontade de protege-lo das maldades do mundo para que ele não se machuque mais (como coisa que a gente pode evitar isso!). E, sempre, continuar acreditando que, como diz aquele escritor, “AMAR PODE DAR CERTO”.