Uma breve apresentação

Uma breve apresentação

Olá, prezado leitor ou leitora.

Photo by Mitja Juraja on Pexels.com

Venho por meio destas tortas linhas me apresentar. E apresentar o motivo pelo qual preciso escrever.

Resolvo não me identificar, nem por nome nem por gênero, pois ora. Eu, um morto vivo, não sei bem se necessito disso para apresentar minhas crônicas. Se fizer necessário, me apresentarei quando a oportunidade exigir. Posso ser um homem, uma mulher, meramente um alienígena preso a um corpo humanóide em decadência constante.

Sei somente que eu sou um morto vivo.

Aqui você não encontrará frescuras ou links em demasiado. Somente meus textos e pensamentos traduzidos em palavras legíveis, vez ou outra com erros de concordância,  ou assassinatos gramaticais, outras somente um despejo de emoções. Pois nestes momentos encontro-me vivo. Em outras, serão provavelmente textos desconexos e sombrios, dos momentos aos quais encontro-me morto.

Por vezes, minha alma é vitoriana. Outras, romântica. Por muitas vezes é analítica, e outras a minha mente é somente enfadonha. Me entedio facilmente, portanto é possível que este blog encontre-se por vezes cheio de teias de aranha.

Mas como um refúgio secreto, estarei presente quando meu coração bater e eu precisar desabafar as memórias de um defunto.

Até breve.

Reflexos

Reflexos

“Everybody has a secret world inside of them. All of the people of the world, I mean everybody. No matter how dull and boring they are on the outside, inside them they’ve all got unimaginable, magnificent, wonderful, stupid, amazing worlds. Not just one world. Hundreds of them. Thousands maybe.”

Neil Gaiman, A Game of You.

Poderia declarar-me uma Incógnita. Mas seria comum demais. Todos gostam de se sentir misteriosos, e eu sou um livro aberto.

Poderia declarar-me uma bagagem vazia, sem nada a oferecer, mas eu sou cheia de coisas dentro de mim, e que normalmente escapam por meus dedos.

Gostaria de me declarar a Liberdade, mas eu sou responsável demais, e o mundo não compatibiliza esses dois termos. Liberdade no mundo contemporâneo tem a ver somente com Insensatez.

Queria ser a Vingança, e libertar-me de todo o ódio dentro de mim, descontando nos culpados, mas o amor supera isso, e o tempo lava essas escadarias internas.

Queria ser a melhor amiga de mim mesma, mas sou minha mais cruel inimiga. Encerro-me dentro dos meus medos, dentro da minha genialidade e morbidez, escondo-me atrás de minhas máscaras de ironia,  e cinismo com a vida.

O que interessa é o que sou, e não o que gostaria de ser. Sou a imperfeita. A fracassada. A esquisita que todos passam longe, e esquecem que preciso de um toque e afeição às vezes. Todos os seres humanos necessitam disso.

Ainda assim, sou aquela que depois dessas constatações dos outros, as aceita como se fossem próprias, e acorda para mais um dia de trabalho árduo, ignorando seus próprios pesadelos encarcerados.

Síndrome de impostor

Síndrome de impostor

Olá, visitante dessas terras longínquas de além vida.

Hoje eu confesso que estou me sentindo meio morta… cansada mesmo. Me sentindo uma grande e gorda pamonha, por conta das coisas da vida.

Estava cá com meu irmão conversando sobre esse fato de que, nada do que eu faça, nada do que eu produza, parece fazer o menor sentido. E pior… por mais que eu me esforce para fazer o mais perfeito possível, para mim ainda parece uma grande porcaria. E durante a conversa, mostrei a ele alguns ‘concorrentes’ dos artesanatos que eu faço, algumas miniaturas e esculturas… e que muita gente copia das fontes as quais eu me inspiro, mas não chega aos pés dos originais, e pior… até quando eu faço treinando, acho que faço bem melhor.

Mas de onde vem então esse lance do fracasso e o sentimento de inadequação constante?

Somos em três irmãos, dois meninos e uma menina (eu, no caso), e nosso pai sempre foi ausente (aumente o volume que lá vem drama). Nosso role model paterno foi o pai de nossa mãe, vovôzim, que sempre foi um cara ético e avesso as hipocrisias da vida. Ele era do tipo que tirava o sapato pra dar pro mendigo na rua, mas não aceitava dar dinheiro pra alimentar seus vícios. Quer um prato de comida? Te pago um PF ali no alemão.

E conversa vai, conversa volta, lembrei de um artigo que li esta semana (e que mandei o link para ambos), sobre como a necessidade de quando somos crianças em formação nos faz procurar estes modelos. E eles servem para a vida toda.

Mas e daí? Eu me sinto um fracasso, meus irmãos sofrem do mesmo problema, e junto a isso vem a depressão, a bipolaridade, a necessidade incessante do perfeccionismo e com isso o burnout nosso de cada dia. Nossos cérebros não páram, sempre funcionando a 300km/seg, nos dando insônia, ansiedade e principalmente, essa capacidade de cumprir tudo o que nos dispomos a cumprir, entregando o nosso melhor… mas nunca é, para nós, o nosso melhor… sempre parece falso, sempre parece que não é suficiente. Não parece digno ou de algum merecimento ou reconhecimento.

E meu irmão perguntou: será que foi pelo abandono paterno?

Sim. E não.

Tivemos pai. Mas também tivemos o abandono. Para nosso pai, apesar dele se orgulhar da gente, nunca fomos suficientemente bons para merecer o convívio dele. A presença dele. Lembro que, apesar de me sentir feliz em estar perto dele, sempre me senti como se estivesse perdendo parte de mim toda vez que ele dizia adeus, até breve, nos vemos em alguns meses quando papai estiver de folga. E ele nunca estava. Então, era uma espera constante. E quando ele voltava, queria saber das nossas notas, das nossas atividades na escola. Queria corrigir nossa caligrafia e a nossa dicção. Queria que nos vestíssemos adequadamente, como membros da sociedade, nos comportássemos como crianças educadas e principalmente, que fôssemos filhos ideais.

Nessa necessidade absurda de nos enquadrarmos a um modelo imaginário de filho, acabávamos por tentar suprir tudo isso para o nosso avô. Nosso pai de verdade, aquele que nos ensinou valores, moral, ética, que nos concedeu horas e horas de seu tempo e de seu conhecimento para nos fazer pessoas melhores. Tentávamos ser os filhos perfeitos que o nosso pai biológico queria, para um pai que só queria que fôssemos boas pessoas.

Este pai não está conosco hoje. Ele se foi há 7 anos, e com isso ele deixou um enorme vazio dentro de nós. Mas, como disse o artigo, ele foi e sempre será a maior influência de modelo de pessoa para nós três.

Mas… o que isso tem a ver com nossa síndrome de impostor?

Sempre quisemos fazer tudo mais perfeito e certo possível pra podermos agradar a nosso avô (e nao ao nosso pai). Na nossa, cabeça, no inconsciente, isso gerou a necessidade de atingir um perfeccionismo que eh impossível para qualquer ser humano.

Na nossa cabeça, mesmo sem querer, se não fossemos perfeitos, certinhos, comportados, etc etc… a gente não mereceria o amor do nosso avô… poxa, tivemos nosso pai e ele nos abandonou, e isso gerou no nosso inconsciente que não éramos bons o bastante pra ele.

Então, lá dentro, na parte que a gente não lida e convenhamos, não quer lidar… ficou essa necessidade de sermos perfeitos… e com a constante lembrança de nossa avó falando o tempo inteiro que ‘se for pra fazer nas coxas, nem faça’.

Isso implica, na cabeça de alguém em formação, que: ou você é competente demais, ou incompetente demais. Não tem um meio termo.

E ninguém curte muito esse lance de ser incompetente. Mas todo esforço para ser perfeito parece sempre não ser suficiente. Não ser bom o bastante.

Isso tudo, ‘no futuro’ (que ja chegou, aliás) causa a síndrome do impostor: nunca nos sentimos satisfeitos o suficiente com o que a gente faz, parece que nunca está bom o suficiente, e nos sentimos fracassados 110% do tempo.

Isso tambem se liga a bipolaridade, a depressão, ao burnout constante… a não conseguir simplesmente sentar e descansar… a cabeça ta sempre funcionando a 300km/segundo, e mesmo que você tome um porre para ver se a cabeça apaga, nunca acontece isso.

Se isso tem cura, eu não sei. Meus irmãos não sabem. Sabemos que vivemos em um constante burnout. Mas este burnout nunca nos queima por completo, porque nossa força motriz sempre está movendo e movendo e movendo o que fazemos para frente. Nunca nos deixa parar.

Mas nunca parece que somos bons o suficiente ou que sejamos merecedores de qualquer coisa nesta vida.

PS: Agradecimentos a menina Nina, que sem querer me inspirou a escrever algo que estava entalado há semanas. Espero que a leitura deste texto te ajude tanto quanto me ajudou escrevendo-o. <3

Existência ou não existência, eis a questão

Existência ou não existência, eis a questão

A minha existência terrena, como incorporado, se deu em 1981. Naquele ano nevou no estado. Minha tia fez 16 anos em um vestido branco. Eu sempre associo vestidos de noiva a neve.

Mas eis que, aqui hoje me encontro me sentindo meio morto. Domingo a noite sempre faz isso com os humanos, que são sempre arrastados a suas rotinas semanais de trabalho – estudo – farra. Amanhã eu trabalho cedo.

Mesmo assim, estou aqui sendo negligente com meu sono. E banho. Não quero tomar banho. Estou com uma preguiça mortal. Sem trocadilhos.

Nessas últimas semanas, meu organismo foi tomado por alguns vermes, tive que me livrar deles tomando um banho de formol. Mas alguns conseguiram ficar, vermes malditos, e estão caraminholando nos restos mortais do meu cérebro. Mesmo morto, eles conseguem me deixar com dor de cabeça.

Isso me consumiu um pouco. O pseudo-terapeuta com quem me confesso permanentemente me disse que isso era tudo psicológico e eu deveria deixar para o passado se encarregar.

Mas eu tenho este problema, sabe, leitor ou leitora… na hora que alguma coisa acontece, normalmente eu estou lá, moscando e não me importando, e não percebo o acontecimento. E se eu não estou moscando, provavelmente não estou prestando muita atenção mesmo. Como diria Holmes, o cérebro é como um sótão, você só coloca ali dentro o que julga realmente necessário. E a honestidade do meu parceiro não é algo ao qual eu desprezo, aliás incentivo, mas esqueço que nem todo mundo tolera verdades sem filtro do socialmente aceitável.

E daí vem a minha ruína, a chance de defesa… e ela passa por mim como a brisa no cemitério.

E depois, fico eu aqui, me consumindo a toa, com as 500 respostas prontas para devolver os insultos e todas as ofensas dos últimos anos. Mas que não posso mais, pois resolvi novamente me fingir de morto e enterrar as pessoas que tratam a mim e a meu cônjuge como amizades ‘tapa-buraco’. Na falta de gente melhor e mais ryca, vai vocês mesmo.

 

Citação

As 10 mais de 2016

  1. Nossa, você trabalha pra uma empresa gringa. Deve ser bom isso, né?
  2. Nossa, você trabalha em casa. Deve ser bom isso, né?
  3. Nossa, você ganha seu salário em dólares! Deve ser bom ser rica, né?
  4. O que? Contas para pagar? Isso é mundano demais para você. Você é rica, ganha em dólar, não está no mesmo nível de nós, meros mortais.
  5. Nossa. Pára de reclamar da economia brasileira. Você ganha em dólares, não tem do que reclamar.
  6. Nossa. Como assim você não vai para o Canadá este ano ainda? Você ganha suuuuper bem.
  7. Nossa. Capaz que você tá com dificuldade. Você ganha bem. E em dólar, olha que privilégio.
  8. Ué… não pode sair porque tem que trabalhar? Pra que, você ganha bem, não precisa se matar 16 horas por dia.
  9. Ué… você tem tua própria empresa digital, você trabalha em casa, pode sair a hora que quiser, trabalhar quando quiser…
  10. Eu não quero que você me ensine. Eu quero que você resolva.

E quando eu falo, acham exagero.

O Exercício do Amor

O Exercício do Amor

Hi, fucked world…

Fuçando nos meus antigos arquivos, encontrei esse texto. Pessoalmente, apesar de ter perdido contato com a autora, sinto muita falta dela e de sua sabedoria. E eu simplesmente adoraria colocar em prática tudo o que ela um dia escreveu. Não postei por motivo especial, mas é sempre bom falar de amor. =}

Pode ser utopia, mas vale a leitura.

O Exercício do Amor

Witch Girl Eillen (Saudades…)

Amor existem muitos. De variadas formas e tamanhos. É assim entre irmãos, pais, filhos, amigos, afilhados, coisas, bichos e até‚ com os opostos que se atraem…

Eu não creio que os laços do coração bastam para manter duas pessoas juntas.

Uma permanente comunicação sobre os medos e desejos, é necessária. Como também é absolutamente necessária a compreensão de que: Estabelecer uma
relação é ir mais longe do que os sentimentos, é aproximar e ligar entre si as diferenças. É fazer com que essas diferenças/barreiras se transformem em pontes.

O amor desconhece qualquer lei. Destrói qualquer velha certeza. Arromba preconceitos. Salta o muro. Assalta o não. Derruba as torres da razão. Dá murros na moral. Ri de qualquer condição e é atemporal.

A gente não ama simplesmente porque quer. É necessária uma deliciosa mistura de espera e de ternura, de sede e de força de viver.

E mesmo que esse encontro aconteça, para estabelecer uma relação de qualidade é preciso duas pessoas. Duas pessoas querendo, prá começar. Duas pessoas para rebater a bola do carinho.

É preciso que o outro também descubra sem que a gente precise sugerir e
muito menos impor, que o carinho é um valor seguro, que permite agradar ao outro apenas por querer agradá-lo. Não aquele carinho infantil, sempre mais ou menos interesseiro, mas um carinho de pessoas adultas, que sabem o que querem da vida. Que buscam no outro, não a dependência ou a responsabilidade pela sua felicidade, mas uma troca nutritiva e sadia rumo ao infinito de si mesmos.

Entre duas pessoas que se aplicam em crescerem juntas, respeitando a individualidade do outro, esse carinho pode ter um sabor raro.

E então o exercício do amor pode acontecer de forma simples, plena e diária, através dos seguintes gestos, beijos, ações, babilaques:

Gostar de dormir abraçados. Ficar de pernas pro ar. Tomarem juntos chocolate quente no inverno e sorvete no verão. Abrir presentes. Trocar bilhetinhos apaixonados. Escrever uma carta dizendo o tamanho do amor que sente.

Mandar e receber flores. Fazer viagens de aventura. Conhecer lugares diferentes. Ir de novo num lugar que a gente achou demais. Acreditar em papai noel. Não acreditar em bicho-papão. Rolar de rir vendo desenho animado na tv. Ouvir música. Cantar. Dançar solta. Dançar colada. Fazer poesias, Recitar Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mário Quintana e todos os outros que fazem a nossa cabeça. Andar de mãos dadas. Pichar uma declaração de amor, num muro à noite (isso não é só menino que faz não!) em uma rua deserta. Olhar nos olhos. Tomar banho de cachoeira. Gostar de um lindo dia de sol. E em noites de chuvas, debaixo das cobertas, fazer no corpo, novas descobertas. Dar o primeiro beijo. Dar o segundo beijo. O milésimo beijo. Aqueelee beijo. Não dar beijo algum e ao invés disso, dar aquela mordidinha. Chamar o outro de bonitão mesmo naqueles dias em que ele está se sentindo um cão molhado de chuva. Não ficar brava só porque ele quebrou aquela taça que a gente gostava. Ler muito. Aprender sempre.

Ler estórias em quadrinhos. Fazer palavras cruzadas. Viajar para o interior. Planejar “aquela” viagem ao exterior. Montar quebra-cabeça. Namorar pelo telefone. Namorar, namorar e namorar. Fazer cafuné. Dar colinho. Olhar as estrelas. Descobrir juntos coisas novas. Conhecer novas pessoas. Sair juntos como os amigos seus e dele. Sair somente com seus amigos. Não se chatear quando ele preferir sair somente com os amigos dele Se descobrir mudando sempre. Amadurecendo a cada dia. Brincar de médico. Comer pipoca assistindo um filme em casa. Ganhar abraço macio e colado. Dar abraço colado e macio.

Manter a forma de um jeito prazeroso. Procurar ser cada vez mais saudável, mente, corpo e espirito. Dizer “eu te amou. Ouvir “eu te amo”. Deixar que o outro nos flagre olhando e sorrindo. Dar muita risada. Pedir colo.
Balançar na rede. Procurar sempre falar a verdade. Andar de pés descalços na grama.
Fazer massagens nos pés. Nas mãos. No corpo todo. Contar piadas. Não calar a risada. Cuidar de si. Cuidar um do outro. Cuidar do amor. Cuidar do cuidado.
Fazerem juntos um sanduíche ou um chá de madrugada. Fazer guerra só de travesseiros. Administrar os problemas que surgirão conversando sempre.
E sempre, de forma prática e serena. Desligar o despertador e continuar
dormindo abraçados. Acordar e ficar até tarde na cama. Correr pela chuva de mãos dadas. Ir ao cinema. Ir ao teatro. Assistir a shows. Dar shows de criatividade e de superação de si mesma. Roubar um beijo. Ficar de bobeira.

Rolar no chão. Brincar com os sobrinhos dele. Chorar de rir. Dar curto circuito. Dizer coisinhas no ouvido. Ficar com tesão. Dar tesão. Tirar a roupa. Fazer amor sem pressa. De mil e uma formas diferentes, mas sempre com muito carinho. Explodir por dentro. Subir pelas paredes. Fazer o outro subir contigo. Depois, em silêncio, se olhar nos olhos e se descobrir plena, inteira, integra, digna e feliz. Ficar quietinha. Coladinha Dormir juntinha. Acordar de madrugada. Assistir ao por-do-sol. Sonhar acordada. Se permitir fazer o que nunca pode, conseguiu ou deixaram ser. Pular na cama de mãos dadas. Sair p/ mato. Procurar cristais. Ir a praia. Catar conchinhas. Como quem não quer nada, querer tudo. Falar sério. Falar abobrinha. Ir além do aqui e agora. Brindar a vida. Tomar vinho. Tomar banho juntos. Lavar os cabelos dele com jeitinho p/ não machucar. Enxugar o corpo dele de preferência, deixando tatuado nele, muitos beijinhos. Inventar uma música. Escolher uma música como tema desse amor. Suspirarem juntos ouvindo abraçados “em algum lugar do passado”. Tremer de emoção. Se flagar no colégio, lembrando e sorrindo, se descobrindo apaixonada. Deixar o outro ganhar no jogo, (principalmente quando a gente percebe que ele teve um dia difícil no trabalho) e depois quando ele disso reclamar, a gente fazer de conta que não sabe do que ele está falando. Reconhecer quando errou e honestamente pedir desculpas.

Ficar verdadeiramente agradecida por uma ação gentil, um cuidado, uma preocupação, uma consideração. Dar a certeza de que o outro pode contar contigo. Saber que pode contar com o outro, porque antes de qualquer outra coisa, vocês são amigos.
Ficar á vontade. Ser a mais expontânea possível e na presença do outro, se “sentir em casa”. Sem medos, sem vergonha, sem preconceitos, sem defesas, sem se sentir coagida, pressionada, vigiada e cobrada. Ter a certeza de que vocês estão juntos, porque se escolheram e porque essa é a melhor opção, e por isso mesmo, entender que não há necessidade de ciúmes excessivos, cobranças e patrulhamentos sem sentido. Nunca, em nenhuma hipótese, por insegurança ou “autenticidade” tratar um ao outro com grosserias e baixarias.
Ficar preocupada quando perceber que o outro não estiver bem. Tentar ajudá-lo.
Falar com ele. Ouvi-lo. Mas entender sempre que “não se ajuda quem não quer ser ajudado”. Se descobrir “morrendo de saudades” e ligar de repente, só prá dizer isso. Respeitar em si e no outro suas crenças, suas ideologias e seus gostos pessoais. Deixar muito claro que, se vocês discutirem, estarão discutindo por idéias, pontos de vistas, etc. e nunca um com o outro como se fossem adversários. Estimulá-lo a ser cada vez melhor. Reconhecer os progressos do outro. De um jeito muito pessoal e as vezes difícil de explicar, desde o primeiro momento que vocês, se encontrem, sentir uma grande, enorme vontade de protege-lo das maldades do mundo para que ele não se machuque mais (como coisa que a gente pode evitar isso!). E, sempre, continuar acreditando que, como diz aquele escritor, “AMAR PODE DAR CERTO”.

Complexo de Sininho e Complexo de Wendy

Complexo de Sininho e Complexo de Wendy

Esse texto eu li há tantos anos, e ainda me lembro dele o tempo todo quando olho pra mim mesma e meus relacionamentos e minha vida. Deveria ser uma verdade sobre todos os relacionamentos desse mundo contemporâneo e gelado…

Mas ultimamente não quero Peter Pans, e sim um dos Garotos Perdidos… Tou meio cansada de ser Sininho…

Retirei o original do site http://www.mulherzinhagirlie.blogspot.com/

Escrito por Bruna Paixão.

Outro dia eu estava na praia, tomando água de coco e pegando um bronze. Não tinha nada pra fazer e simplesmente adorava isso; inclusive estava me perguntando por quê não tinha nascido milionária. Era uma pergunta sem resposta. Virei para meu companheiro de praia, sentado na cadeira ao lado, e declarei: “Sabe de uma coisa, acho que sofro de um enorme Complexo de Peter Pan.” Ele respondeu que Complexo de Peter Pan era só pra homem, que nesse caso eu teria que sofrer de Complexo de Sininho. Eu disso: “Então, que seja de Sininho. O negócio é que eu não quero crescer.”

Meu amigo perguntou por quê. Ele, como representante legítimo do Complexo de Peter Pan – nós andamos em grupo – estava querendo saber se eu tinha características suficientes para ser uma complexada. “Muito simples, posso dar a você uma lista”, eu disse. Ele me desafiou com um: então comece. E nós, eternas crianças, saímos do controle quando somos desafiadas.

Pra começar, eu tenho 25 anos e ainda moro com os meus pais. Tudo bem, em parte isso é culpa da realidade sócio-econômica do nosso país, que faz com que seja muito mais difícil para os jovens brasileiros adquirirem seu cantinho de liberdade do que é na Europa, por exemplo. Mas existe uma outra coisa por baixo disso… Existe a comodidade. Uma das principais características dos que querem viver na Terra do Nunca.

Outra coisa: saio para o mesmo tipo de bar e boate desde que eu tenho 16 anos. Juro. Hoje confesso que fico um pouco deprimida quando vou a uma festa e ouço as mesmas músicas que tocavam na Basement, inferninho carioca que inaugurou a minha boemia. Já se passaram 6 anos, caramba, e o povo ainda está ouvindo isso? Depois eu penso: “que se dane” e fico cantando Candy, do Iggy Pop, no meio da pista.

Terceiro ítem: não tenho nenhuma maturidade para relacionamentos sérios. Toda vez que arrumo um namorado que dura mais de seis meses, a cena se repete: ciúmes, possessão, etc etc. Quando alguém me diz namora há oito anos, eu acho que a pessoa é um ser iluminado. Porque eu imagino que relacionamentos longos devem significar entendimento mútuo e amadurecimento – ou seja, incompatíveis comigo. E aí está a minha quarta característica infantil: acreditar que homens e mulheres podem se entender e se respeitar.

O ponto definitivo para a conclusão de que realmente eu sofro de Complexo de Sininho é a atração irresistível por homens com Complexo de Peter Pan. Tão complicadinhos. Com medo de tudo. Tão extremamente freaudianos e édipos, procurando a mãe na figura feminina de cada esquina…

Não sou só eu que gosto de homens assim. Elas também gostam. Elas, as mulheres- absolutas. As que são centradas e têm jeito de mãe. As que exibem sempre conselhos sensatos para horas de desespero. As Complexo de Wendy!

Conheço poucas assim – elas não se misturam com tipos como eu. Mas sei que existem. Elas andam com segurança e fazem mais dinheiro do que eu farei aos 30. Geralmente elas têm cabelos lisos. Tudo em suas vidas é centrado e pesado e discutido com a boa e a má consciência. A única situação que escapa do controle dessas mulheres é o amor pelos Peter Pans.

Esses homens que nunca crescem despertam a mãe que mora dentro das Wendys. Elas já eram loucas pra soltar esse lado há muito tempo e de repente – voilá – têm a oportunidade perfeita nos Peter Pans. Esse casal se completa. Ying e Yang. Positivo e Negativo. Quando se encontram, são felizes para sempre.

Peraí, e as Sininhos? Bom, as Sininhos não são seres humanos. Elas podem ficar sozinhas (e amaldiçoar até a morte a oponente Wendy). Aliás, ninguém nunca sabe quando uma Sininho está triste ou alegre. Porque, nos dois casos, ela passa glitter nos olhos e sai pra dançar. Geralmente a mesma música que tocava há seis anos na Basement.